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Angelo Gabriel

Angelo Gabriel um vencedor!!!


Angelo Gabriel nasceu no dia 28/10/2009, hora:22h50 (hospital geral universitario - cuiabá-mt) de parto cesária.

Idade atual: 7 meses e 29 dias.





Aos 4 meses de gestação, pela ultrasonografia foi detectado que meu bebe tinha uma má formação denominada meningocele occipital..
Meu obstetra informou-me na epoca que tratava-se de uma bolsa de liquido cefalorreico que se formava na altura da nuca do bebe por ausencia de ácido folico ou motivos congenitos, e que podia ser absorvida durante o periodo gestacional pelo organismo da criança ou poderia ser retirada atraves de intervenção cirurgica após o nascimento.

Pesquisei informações, mas não achava nada muito claro sobre o assunto e aguardei pelo resultado.

Angelo Gabriel nasceu de 36 semanas, de parto cesária, pesando 3785 kg e 48 cm.
Saiu do centro cirurgico diretamente para a uti neonatal possibilitando-me a conhecer meu filho, somente 2 dias após seu nascimento, que foi quando consegui caminhar ate a uti.



A meningocelle so possuia liquido e não dispunha de nenhum tecido cerebral caracterizando portanto uma encefalocele.
Angelo teve uma icterícia severa, necessitando de fototerapia e duas transfusões sanguineas. O que levou a cirurgia para remoção da meningocele, a ser realizada somente 12 dias após seu nascimento.
Contudo, depois da cirurgia fora detectada a hidrocefalia e enfim diagnosticada a Sindrome de Dandy walker.
Tudo acontecia tão rapido, coisas que eu nunca ouvira falar na minha vida.
Aos 20 dias de vida, foi realizada a colocação da válvula, entretanto tinhamos um problema maior. Além de possuir apenas 10% do cerebelo, o tronco cerebelar de Angelo era (é) mal formado, o que acarretava crises de apnéia, levando-o ao risco da morte súbita.




Eu procurava manter a calma frente a situação e do quão meu filho precisaria de mim, mas ve-lo com sonda (não possuia sucção por isso não era amamentado no seio e também tinha o risco de broncoaspirar por causa da apneia), com soro, fazendo exames de destro todos os dias, inumeras coletas de sangue, no CPAP, tubo, ude e assim ia e voltava, era um desgaste alem das minhas forças, parecia não ter fim.
Era terrível ver meu filho chorando e nada poder fazer, sequer poder pega-lo nos braços para ninar e tentar acalma-lo. Só pude senti-lo aconchegado em meu peito, 15 dias depois de nascido. Sentia-me rejeitada ao ve-lo preferir a encubadora a mim. Quantas vezes não vi escorrer sangue em seu pequeno rostinho por causa das sondas que invadiam suas narinas e boca.
Não bastante, um mes apos a colocação da valvula, foi detectado que o cateter desta havia se desconectado, necessitando de uma nova intervenção cirurgica.
Por esta razão Angelo Gabriel ficou 3 meses e 17 dias na uti, até que finalmente teve alta sob o regime de home care.





Hoje com 7 meses, faz sessão de fisioterapia 5 vezes por semana, fono 3x por semana, adora mamadeira, papinhas e frutas.
Ainda não senta e tem pouco equilibrio do tronco, pois seu perimetro cefalico ainda é desproporcional a idade de seu corpo (corresponde a idade de uma criança de 1ano e 6 meses).
Tem pouca desenvoltura com as mãos e pernas, mas esta respondendo positivamente ao tratamento.
Gosta de gritar pra chamar atenção, de colo, e de brinquedos sonoros.
Tem dificuldades para levantar os olhos e ate pouco tempo temia que ele não enchergasse, mas esta começando a demonstrar sinais de visão, percebendo objetos coloridos e prestando mais atenção quando se aproximam de seu rosto.
Aprendi muita coisa, durante esses 4 meses na uti, e principalmente que não existe imperfeição nem uma medicina exata.
Ainda me lembro das inumeras vezes que as medicas mandavam eu aproveitar os momentos com meu filho na encubadora, pois poderiam ser os ultimos. Ainda lembro da pediatra dizer a minha sogra que angelo era como um "vegetalzinho"que ela tinha que aproveitar cada momento porque a qualquer hora ele podia morrer. Ainda lembro do primeiro diagnostico: "ele é uma criança que voces vão ficar ai o tempo todo, e ele vai morrer de uma hora pra outra de morte subita". Ainda lembro de ve-lo chorar dias e noites pelo peso e pressao da cabeça que chegara a medir 52cm quando ele ainda tinha 3meses de vida.




Foram tantas coisas vividas, tantas feridas abertas, talvez para testar a minha fé, talvez para me fortalecer diante do pequeno guerreiro que precisaria tanto de mim.
O fato é que não importa como, o que, ou porque aconteceu com meu filho. O que importa é que ele esta lutando e já é um vencedor!.